No passado sábado, 120.000 professores portugueses - 80% do universo docente - desfilaram em Lisboa na maior manifestação de sempre de uma única classe profissional em Portugal. Os TSD saúdam todos os participantes, independentemente das suas convicções ideológicas e político-sindicais, pelo elevado sentido cívico que demonstraram.
Os TSD defendem à outrance a avaliação dos professores. Entendem, todavia, que o modelo em vigor assenta em princípios inadequados e injustos e num esquema kafkiano que está a criar uma enorme perturbação nas escolas e a desfocar os professores da sua função essencial. Os sindicatos de professores mais não fazem do que dar voz à insatisfação generalizada da classe como lhes compete.
Perante este estado de coisas, o governo dispara em todas as direcções e não hesita sequer em recorrer à mentira. Enquanto a própria manifestação decorria, já a Ministra da Educação, estrategicamente refugiada na cidade do Porto, se desdobrava em declarações injuriosas juntando, no mesmo saco, sindicatos e oposição política, acusando-os de oportunismo político em virtude da aproximação das eleições. Esta postura foi reafirmada à hora do telejornal em mais um exercício lamentável de propaganda em prime-time, sem o habitual contraditório que seria expectável no serviço público de televisão.
A ministra acusa sindicatos e manifestantes de pretenderem chantagear, não só a sua excelsa pessoa, como os professores e as escolas que estão, no seu entender, a "implementar o processo". Os TSD perguntam: quais professores, se estiveram ali, quase todos, mesmo aqueles que nunca tinham participado numa manifestação?
Afirma a ministra, que os "professores não querem ser avaliados", procurando ocultar que o modelo de avaliação em vigor foi imposto em simulacros negociais em que as contrapropostas sindicais foram olimpicamente ignoradas. Tal afirmação não resiste sequer a um exercício simples de consulta pelos sites dos sindicatos, onde se poderá constatar que estes têm propostas concretas de modelos de avaliação alternativos.
Não temos dúvidas que a esmagadora maioria dos professores defende a avaliação do seu desempenho profissional. Apenas entendem que terá de avançar através de um efectivo processo negocial; que o novo modelo de avaliação deve ser exequível e objectivo; deve valorizar efectivamente o mérito, pondo fim às quotas administrativas criadas pelo Governo; e deve acabar, de uma vez, com a divisão da carreira docente, iníqua e geradora de injustiças, entre professores titulares e professores que acabam por ser classificados de segunda.
Por seu turno, o Primeiro-Ministro, que se considera um político imaculado e impoluto e que tem de estar acima de qualquer censura ou crítica, afina pelo mesmo diapasão da sua subordinada, insistindo na mentira caluniosa que os professores não querem ser avaliados e acusando as oposições de "oportunismo político".
Ora, o que a ministra e o primeiro-ministro demonstram, através da sua postura arrogante e prepotente, é uma lamentável falta de humildade e cultura democráticas, que seriam expectáveis em titulares de órgãos de soberania.
O Governo aposta tudo na confrontação com os professores, pensando que um braço de ferro e o reforço da imagem de inflexibilidade lhe irão devolver os votos que os professores inexoravelmente lhe negarão em 2009.
Só que, quando se põe em causa a dignidade de toda uma classe profissional, desmotiva-se fortemente o seu desempenho, destrói-se a escola pública e, em última análise, prejudicam-se os alunos e as suas famílias. Infelizmente, a cegueira não deixa o Primeiro-Ministro ver esta evidência.
Lisboa, 10 de Novembro de 2008
O Secretariado Executivo
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Comunicado do Secretariado dos Professores do Porto dos TSD
Comunicado: TSD apoiam os movimentos dos professores
Divulgado recentemente, o estudo da Gallup The Voice of the People 2007 realizado para o Fórum Económico Mundial demonstra inequivocamente que a classe profissional em que os portugueses mais confiam é a dos professores. Porém, ao arrepio deste sentimento dos portugueses, o governo socialista tem tratado mal os professores, mais do que qualquer outra classe profissional.
O ataque do governo à imagem e à dignidade da profissão docente raia o inexplicável e é responsável pelo clima de grande tensão que se vive nas escolas, assim como entre os professores e o próprio governo.
As manifestações dos professores, nas ruas das cidades de Portugal, já não são convocadas apenas por sindicatos. Muitas associações independentes de professores têm nascido, demonstrando que o governo conseguiu unir todos os professores contra estas reformas.
Os professores não recusam reformas que os fortaleçam como uma classe exemplar, de grande prestígio social, de grande qualidade e de imenso profissionalismo. Os professores recusam estas reformas absurdas. Recusam a divisão da classe; recusam o concurso do tipo de jogo de azar que foi a nomeação de professores titulares por pontos acumulados nos últimos 7 anos; recusam esta avaliação desumana, complicada, burocrática e apressada, portanto inimiga da perfeição; recusam a funcionalização da profissão e o excesso de horas em escolas que não têm condições de trabalho, fazendo tarefas burocráticas, com o consequente e inevitável prejuízo da qualidade da principal função que devia continuar a ser a educação e a formação dos alunos.
As consequências destas reformas do governo socialista prevêem-se desastrosas. É certo que o povo português não se deixou influenciar pelos ataques do governo contra os professores, como o referido estudo mostra, mas o sistema educativo português, já caracterizado por um forte abandono escolar e por resultados decepcionantes relativamente aos restantes países obtidos pelos estudantes portugueses nos estudos internacionais de conhecimentos e competências, vai de mal a pior. E é esta a nossa maior preocupação, ainda mais do que sentir que os professores portugueses estão a ser maltratados pelo governo.
Conscientes que o estado da educação e da formação dos portugueses é a raiz do nosso descontentamento com a qualidade de vida em Portugal e da queda do país nos mais consagrados indicadores económicos e sociais; conscientes que não é possível inverter a tendência para um cada vez maior atraso dos portugueses em educação e formação, tratando tão mal os professores; considerando que a situação nas escolas só não é pior devido ao elevado profissionalismo e competência dos professores; conhecendo a confiança dos portugueses na capacidade e na competência dos professores,
O Secretariado dos Professores do Porto dos TSD
i) considera que o governo pode e deve resolver os problemas que criou nas escolas, emendando os erros que cometeu,
ii) defende que o Partido Social Democrata pode e deve assumir o compromisso eleitoral de reparar os erros cometidos pelo governo socialista contra os professores, nomeadamente a forma como dividiu a classe em professores e professores titulares e esta avaliação que engendrou, traduzido em propostas concretas para alterar este Estatuto da Carreira Docente,
iii) incentiva os professores a participar massivamente nas manifestações que estão a ser convocadas pelos sindicatos e pelas associações independentes, na defesa da dignidade da profissão e da boa qualidade das escolas.
Porto, 4 de Março de 2008
O Secretariado dos Professores do Porto dos TSD
Divulgado recentemente, o estudo da Gallup The Voice of the People 2007 realizado para o Fórum Económico Mundial demonstra inequivocamente que a classe profissional em que os portugueses mais confiam é a dos professores. Porém, ao arrepio deste sentimento dos portugueses, o governo socialista tem tratado mal os professores, mais do que qualquer outra classe profissional.
O ataque do governo à imagem e à dignidade da profissão docente raia o inexplicável e é responsável pelo clima de grande tensão que se vive nas escolas, assim como entre os professores e o próprio governo.
As manifestações dos professores, nas ruas das cidades de Portugal, já não são convocadas apenas por sindicatos. Muitas associações independentes de professores têm nascido, demonstrando que o governo conseguiu unir todos os professores contra estas reformas.
Os professores não recusam reformas que os fortaleçam como uma classe exemplar, de grande prestígio social, de grande qualidade e de imenso profissionalismo. Os professores recusam estas reformas absurdas. Recusam a divisão da classe; recusam o concurso do tipo de jogo de azar que foi a nomeação de professores titulares por pontos acumulados nos últimos 7 anos; recusam esta avaliação desumana, complicada, burocrática e apressada, portanto inimiga da perfeição; recusam a funcionalização da profissão e o excesso de horas em escolas que não têm condições de trabalho, fazendo tarefas burocráticas, com o consequente e inevitável prejuízo da qualidade da principal função que devia continuar a ser a educação e a formação dos alunos.
As consequências destas reformas do governo socialista prevêem-se desastrosas. É certo que o povo português não se deixou influenciar pelos ataques do governo contra os professores, como o referido estudo mostra, mas o sistema educativo português, já caracterizado por um forte abandono escolar e por resultados decepcionantes relativamente aos restantes países obtidos pelos estudantes portugueses nos estudos internacionais de conhecimentos e competências, vai de mal a pior. E é esta a nossa maior preocupação, ainda mais do que sentir que os professores portugueses estão a ser maltratados pelo governo.
Conscientes que o estado da educação e da formação dos portugueses é a raiz do nosso descontentamento com a qualidade de vida em Portugal e da queda do país nos mais consagrados indicadores económicos e sociais; conscientes que não é possível inverter a tendência para um cada vez maior atraso dos portugueses em educação e formação, tratando tão mal os professores; considerando que a situação nas escolas só não é pior devido ao elevado profissionalismo e competência dos professores; conhecendo a confiança dos portugueses na capacidade e na competência dos professores,
O Secretariado dos Professores do Porto dos TSD
i) considera que o governo pode e deve resolver os problemas que criou nas escolas, emendando os erros que cometeu,
ii) defende que o Partido Social Democrata pode e deve assumir o compromisso eleitoral de reparar os erros cometidos pelo governo socialista contra os professores, nomeadamente a forma como dividiu a classe em professores e professores titulares e esta avaliação que engendrou, traduzido em propostas concretas para alterar este Estatuto da Carreira Docente,
iii) incentiva os professores a participar massivamente nas manifestações que estão a ser convocadas pelos sindicatos e pelas associações independentes, na defesa da dignidade da profissão e da boa qualidade das escolas.
Porto, 4 de Março de 2008
O Secretariado dos Professores do Porto dos TSD
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